Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Dons da diversidade


Não somos idênticos e essencial é manter diferenças. Celebrar dessemelhanças. Exaltar a diversidade. Não de um jeito fundamentalista tolo que torna nossa causa de festa em justificativa de morte. Mas de olhos expandidos para ver que a Graça é multiforme e se manifesta em cores e contornos distintos. Deus é criativo e todas as coisas são puras para os puros.
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Cristo ensinou que o que contamina o homem é o que sai de si, pois provém do coração. Se teus olhos interiores são impuros, o mundo todo será uma impureza só. Se o nosso coração é egocêntrico só aceitaremos um mundo onde nossa vontade seja sempre obedecida. E segue-se assim. Sempre desconstruímos e reconstruímos o ao-redor conforme o nosso coração. Em outras palavras o que o Mestre disse é que quando nossos olhos estão doentes o mundo inteiro adoece conosco. Daí ser necessário nascer de novo.
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A globalização homogeneizante que transforma em meros artefatos decorativos as manifestações culturais de povos milenares. Os preconceitos raciais, sociais, sexuais. O proselitismo religioso. A cristianização superficial arrogante e hipócrita preconizada como “caminho da verdade”. O desmatamento perverso de florestas, a destruição da biodiversidade, extinção de espécies. Tudo o que seja contra a vida em todas as suas definições e manifestações precisa ser desmascarado e combatido. Qualquer unidade uniforme, piramidal, militar, onde todos devem ser iguais a todos é falsa e só nos traz desgraças.
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A uniformidade das Torres-de-Babel desmorona perante a diversidade do Pentecostes. Deus é Deus de pluralidades do contrário o mundo não seria vário. Uniformização é coisa de homens desejosos de poder. A Terra está cheia deles. As igrejas estão apinhadas de homens apostolando mecanismos de discipulação que ao invés de iluminar a diversidade a destroem.
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Igreja sempre foi diversa. Desde o princípio os apóstolos e discípulos anunciaram a presença divina que encontraram em Jesus com várias imagens. A leitura que São Pedro faz do Evangelho é distinta da de São João, São Paulo ou São Tiago e todas elas convergem para um ponto como todos os rios distintos e distintivos terminam no mar. Mas como no meio do caminho sempre há uma pedra, em algum lugar vestimo-nos de Babel, o uniforme que devemos retirar pra receber o odre novo do vinho novo.
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Não somos idênticos.
Essencial é lembrar diferenças.
Celebrar dessemelhanças e exaltar diversidades.
Viva a unimultiplicidade!
Abraços.
Inté!

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Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Vida Simples, Vida Nova


Somente a simples atitude de viver já nos é suficiente para nos levar a ter mais sede por vida e ainda estar no ajuntamento daqueles que realmente gozam da vida e a querem mais.

Uma atitude de vida simples me faz crescer nas coisas da vida que realmente interessam, afinal o que vive de vida simples sabe reconhecer o seu igual. E o que pensa que tem muito da vida realmente nada e a ninguém tem.


A minha vida hoje é diferente e por isso iniciei este texto falando sobre a vida. Alguns de vocês que acompanham este blog merecem saber por que ultimamente eu não tenho mais postado nada aqui a algum tempo.


Hoje troquei a vida diferente, agitada e conturbada de São Paulo pelas coisas e pessoas simples de Recife.

Decidi por eu mudar a vida sem deixar de lado como aprendizado a vida que levei em São Paulo. Sou grato a Deus por ter nascido e sido criado lá, mas também vejo como uma grande mudança esta minha vinda para Recife.

Com isso tudo eu tive que perder hoje para ganhar amanhã. Perdi a estabilidade de empregos, o contato direto com amigos, o aconchego de estar ao lado dos meus familiares, de ter o colo da minha mãe sempre lá e também perdi o tempo que tinha hoje para postar aqui para amanhã postar a novidade de vida que estou tendo aqui.

Afinal este blog reflete meu pensamento e tenham certeza que o que penso é o que vivo e vivo por que penso.

E viver hoje a simplicidade de Recife tem me feito bem, estar no meio de pessoas que são simples e que sempre querem te ajudar também tem me feito ótimo.

Tenham certeza que o meu tempo de estar no blog postando freqüentemente irá voltar com o ganho de viver no meio dessa grandiosidade de gente e cidade que é Recife e isso se reflitirá aqui.

Por enquanto tenho certeza e fico feliz pelos amigos que fiz e que estão postando aqui.

E tenham certeza que se mais pessoas quiserem usar este espaço para colocar seus textos e mesmo que eu discorde destes, elas ainda sim terão seu espaço, é só me dar um toque por e-mail.

Não é uma promessa política, mas tenham certeza que quando eu voltar ao blog, voltarei com várias novidades.

E de resto desejo que vocês realmente pensem em suas vidas e que quando Cristo diz que espera que façamos coisas maiores realmente ele espera que passemos por grandes mudanças e que venhamos a progredir na vida. As coisas que Cristo menciona como maiores não são milagres em si e expressos de forma singular e engessada ou de forma que não convence ninguém e causam desconfiança de quem vê por não passar de charlatanismo de quem quer pregar um cristianismo circense.

As coisas maiores de Cristo estão na busca de pessoas por mudanças que lhe deem a maioridade de uma vida simples e direta com Deus tirando-os da meninice de viver atrelados a pequenez de uma vida irrelevante e de falsa importância.

A graça é nossa e isso basta para desejar a paz a todos.

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Domingo, 12 de Julho de 2009

Um Credo


Creio em Deus Pai e Mãe de todos. Que nos gerou e nos preserva em sua graça multiforme.
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Creio em Jesus Cristo irmão e amigo de todos. Que nos revela o Deus invisível sendo exemplo de amor, nos ensinando a seguir no caminho da paz lutando contra toda forma de opressão.
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Creio no Espírito Santo. Espírito de Vida, Liberdade e Unidade. Deus entre nós, que cria e recria em nossos corações o amor, a alegria, a coragem e a força para viver cada dia sendo o que somos nessa grande história de amor entre Deus e os homens.
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Creio na Graça. Manifestação do eterno amor de Deus, que nos leva a andar no caminho do santo.
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Creio na Igreja. Gente de todas as tribos, povos e raças – e eras – que responderam ao chamado do Espírito que sopra onde quer, para serem sal e luz nesta terra.
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Creio nas mãos que se unem em oração e em ação diante de Deus e dos homens. Corações unidos na mesma fome, na mesma sede de mudança, de Justiça e Verdade, pelos direitos de nossos próximos – e nossos próximos são todos aqueles que precisam de nós.
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Creio em Maria, como “um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta” que Deus sempre tem seus olhos voltados para os seres considerados inferiores. Mãe da fé, exemplo de pureza, submissão e restauração. Também exemplo de mãe-mulher que nos diz: “Fazei tudo o que Jesus vos mandar”.
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Creio no Kyrie Eleison: "Ó Senhor tenha misericórdia de mim; Ó Cristo, tenha misericórdia de mim; Ó Senhor, tenha misericórdia de mim." Como a primeira oração de um ser que descobriu quem é.
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Creio que não há mais judeu nem grego, nem escravo ou livre, patrão ou empregado, homem ou mulher, homossexual ou heterossexual, rico ou pobre, Camba ou Quechua, e etc... Pois foram desfeitas todas as barreiras e somos unidos por nossas diferenças. Somos todos iguais. Somos todos um!
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Creio na mensagem da reconciliação como sendo a sublime noticia que devemos anunciar ao mundo.
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E creio que virá um mundo melhor. Mas também creio que o primeiro passo para isso é acreditar que é possível. Vale a pena ter fé, esperança e amor.
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Abraços.
Inté!
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Ps: Este é uma declaração de fé individual do autor (Vidal) e pode não corresponder exatamente à visão de todos os colaboradores deste blogue.

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Sábado, 11 de Julho de 2009

Sobre referenciais

Ligo o televisor, um casal famoso foi flagrado rindo à-toa num restaurante. Estariam namorando? Nos jornais suposições sobre a vida dos célebres, artistas, esportistas. Mídias especializadas em tititis e pelo menos uma casa no Brasil 24 horas aberta ao voyeurismo. Nossa vida é muito centrada nos famosos e poderosos. Eles são aquilo que a maioria de nós deseja ser, ou que seríamos se estivéssemos em seus lugares. Somos o político sem escrúpulo que constrói castelos com dinheiro público; o guitarrista arrogante que trata os fãs como imbecis; ou, a modelo padrão de consumismo e esbanjamento... Somos tudo isso, pelo menos em projeto.
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Não me interpretem mal. É normal termos em quem nos espelhar. O problema é quando imitamos os estilos de vida e atitudes inadequadas de nossos “ícones”. É absolutamente normal admirar, por exemplo, a musicalidade daquele roqueiro ou a inteligência daquele profissional, contanto que o admirador não incorpore o narcisismo ou a arrogância dos mesmos. O certo é olhar todas as coisas, pessoas e situações buscando reter o que é bom.
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Porque mais do que percebemos à primeira vista, o dia-a-dia está abarrotado de gente repetindo maus-exemplos aprendidos. De tudo o que reclamamos naqueles que ocupam os meios de comunicação podemos encontrar imitadores no cotidiano. Isso indica que o círculo vicioso dos adoradores da fama e do poder é eternizado. Há sempre alguém disposto a ser o próximo “pastor de multidões” (sim, entre aspas), o seguinte político corrupto ou rei-traficante, só pra citar alguns exemplos bem visíveis. Os primeiros discípulos foram chamados “cristãos”, pequenos cristos, porque tentavam reproduzir o exemplo do Senhor na vida diária. De forma parecida há entre nós os “pequenos-poderosos”, que já o são, só faltam ser.
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O desafio de todo ser humano é ser quem é. Tarefa que exige de cada um o analisar-se criticamente.
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Enquanto olhamos para a fama e o poder como sendo coisas pelas quais vale a pena viver ou morrer (nalguns extremos até matar) encontramos o oposto nos Evangelhos e na encarnação do mesmo que é Cristo. Deus, em Cristo, olha para os seres considerados inexpressivos, inferiores, para os que estão em diversas situações de opressão e os coloca em posição de honra.
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O exemplo bíblico mais especial é o de Santa Maria. Perante as potestades do mundo ela não era nada. Uma mulher, provavelmente adolescente, numa sociedade extremamente machista. Pobre, procedente de uma aldeia da Galiléia chamada (ou que veio a ser chamada) Nazaré, sem nenhuma importância política e que sofria certos preconceitos por conta do grande número de gentios que ocupavam a região. Uma jovem mulher entre tantas jovens mulheres numa aldeia obscura entre tantas outras naqueles dias. Mas é a esta desconhecida que o anjo Gabriel é enviado para dizer “Salve agraciada! O Senhor é contigo!”
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“Não temas, pois fostes agraciada por Deus, e conceberás, e darás à luz a um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.”
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Segundo as Escrituras, o Deus da Eternidade adentra a História por meio de quem na História não era nada, para fazer do “nada” o tudo que irá construir uma nova realidade.
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Maria é exemplo de que enquanto entre os homens o que impera são as ilusões do poder e da fama que dão luz ao viver consumista e vanglorioso, na realidade do Reino prevalece o viver simples em amor e fé, com posses ou não. É o avesso do avesso, onde o que parece que é, não é, e o que é, mesmo que sem parecer, segundo o parecer dos homens, semeia luz no mundo.
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Magnificat
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Minha alma proclama a grandeza do Senhor,
meu espírito se alegra em Deus, meu salvador,
porque olhou para a humilhação de sua serva.
Doravante todas as gerações me felicitarão,
porque o Todo-poderoso realizou grandes obras em meu favor:
seu nome é santo, e sua misericórdia chega aos que o temem,
de geração em geração.
Ele realiza proezas com seu braço:
dispersa os soberbos de coração,
derruba do trono os poderosos e eleva os humildes;
aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias.
Socorre Israel, seu servo,
lembrando-se de sua misericórdia,
- conforme prometera aos nossos pais -
em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre.
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S. Lucas 1.46-55 (Bíblia Edição Pastoral)
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Preciosas lições de Deus vêm de Marias e Zés que o mundo não vê. E assim, o Deus que dá dons aos homens dá homens como dons aos homens, e mulheres como Maria mãe de Jesus cujo olhar de fé, que não idolatra e nem egolatra, canta e vive o Magnificat, cântico dos que reconhecem a libertação do homem no Cristo e por isso crêem num futuro mais justo. Que possamos inverter olhares, tirando do nosso foco os padrões desfavoráveis à vida de nosso tempo para colocar os exemplos daqueles que existem para nos mostrar uma outra maneira de existir.

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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

A graça da generosidade

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Todos gostamos de receber presentes. Apreciamos aquele simples agrado, aquela ajuda inesperada, que veio em boa hora e nos tirou de um sufoco, aqueles pequenos atos de gentileza no cotidiano, coisas simples, que, no entanto, demonstram o valor que temos para alguém. Mas e com respeito ao inverso? Dar, presentear, ajudar, ofertar... Neste caso, talvez nem sempre sejamos tão liberais ou prestimosos como poderíamos, deveríamos ou gostaríamos de ser.
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Encontramos na Bíblia muitos exemplos de pessoas que deram de si e de seus bens em favor de outros. O exemplo do Cristo é o maior dentre todos, não apenas na Cruz, mas em toda sua vida o Mestre se dedicou a aproximar-nos do Pai, sem mérito algum de nossa parte. Dentre tantos exemplos encontramos na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios o dos irmãos da igreja da Macedônia, que fizeram uma coleta para ajudar os que sofriam de fome em Jerusalém. Tal atitude faz com que o Apóstolo escreva emocionado:
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Irmãos, agora damos a conhecer a vocês a graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia. Em meio às muitas tribulações que puseram à prova essas igrejas, a grande alegria e a extrema pobreza delas transbordaram em riquezas de generosidade. Eu sou testemunha de que eles, conforme seus meios e até além de seus meios, com toda a espontaneidade e com muita insistência, nos rogaram a graça de tomarem parte nesse serviço em favor dos cristãos. Ultrapassando qualquer de nossas expectativas, eles se entregaram primeiramente ao Senhor, e pela vontade de Deus, também a nós. Por isso, insistimos junto a Tito para que termine essa obra de generosidade, que ele já havia começado entre vocês.
II Coríntios 8.1-6 (Bíblia Pastoral)
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Nessa carta direcionada aos irmãos da igreja em Corinto, São Paulo faz questão de dar a conhecer a graça concedida por Deus aos de Macedônia. É importante notar que o Apóstolo considera a capacidade e disposição para dar como uma graça, dom-poder provindo de Deus. Cristo certa vez disse que “mais bem-aventurado é dar do que receber”. Os macedônios haviam aprendido isso. Estava, cheios da graça, o Amor gerado pelo Pai independente de merecimentos, e esse Amor, transbordando entre eles originou o desejo de servir aos irmãos de Jerusalém, de forma que eles insistiram a São Paulo para que tomassem parte no serviço em favor dos irmãos de Jerusalém.
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Ora, os macedônios não eram abastados. O texto diz que eles sofriam muitas tribulações e eram extremamente pobres, mas tais adversidades não impediram que eles transbordassem em riquezas de generosidade, e se tornassem exemplo eterno para nós.
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Existem diversas maneiras de sermos bênçãos na vida de alguém. Podemos, por exemplo, imitar os macedônios e ajudar os que passam necessidades em outras localidades. Podemos presentear as pessoas especiais de nossa vida sem esperar dia de comemoração “oficial”. Podemos servir aos desconhecidos que passam pela nossa vida diariamente, até mesmo com um sorriso. O essencial, todavia, é permitir que a Graça que se derrama sobre nós, alcance o nosso coração e se transforme em atos de bondade e generosidade. E que esses atos não se prendam à ação automática de depositar valores nos gasofiláceos de igrejas. Nada contra. Porém, ofertar é mais que isso, é se entregar de alguma forma, em alguma medida pelo outro. Não é somente um ritual distante, feito muitas vezes tendo como causa o medo de Deus, a barganha ou a mera obrigação.
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Dar, presentear, ofertar e demais ações dessa natureza faz bem ao ser. Mais bem-aventurado, mais feliz e causador de felicidade é dar do que receber. Não perdemos ao retirar daquilo que nos pertence algo para abençoar uma pessoa, um projeto ou instituição que faz um trabalho no qual acreditamos. Antes, plantamos sementes que ao seu tempo brotarão e frutificarão e os seus frutos alimentarão a nós e aqueles que amamos. Conquanto que seja feito sem a opressão do medo, ou compulsão de obrigação imposta (como se fosse um imposto), como produto espontâneo da graça duradoura derramada por Deus em nossos corações.
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Abraço.
Inté!
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Imagem: "En la Cena ecológica del Reino" de Cerezo Barredo.

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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Por que não vou à igreja?

Terminei de ler e estou muito contente com o lançamento do livro Por que você não quer mais ir à igreja?. Já explico.

Há exatos três anos enveredei minha espiritualidade por caminhos, digamos, estreitos e pouco convencionais, portanto, inaceitáveis pela massa evangélica - não só evangélica, claro, mas quaisquer fossem as confissões cristãs. Antes disso detenho uma odisséia da fé comum a muitos dos evangélicos no Brasil: nasci num lar católico negligente com a prática da identificação religiosa; não me lembro se fui batizado ainda bebê e não vou atormentar minha mãe ligando só para perguntar isso. Tentei terminar a catequese, mas achava insuportável e aos poucos deixei de participar. Nunca consegui rezar o terço inteiro. Ficava só imaginando como alguém conseguia! Nunca fui muito apegado à "Virgem Maria", nem aos Santos católicos e não me lembro de conversar com nenhuma imagem. Como vê não fui um bom católico! Paralelo a tudo isso, mesmo tendo-me como tal, ainda usufruia, com minha avó, dos cultos na Igreja Assembléia de Deus nas férias ao visitá-la. Bom, não posso dizer bem que usufruia porque, na verdade, achava um tédio e sempre esperneava para ir embora. Também, paralelamente, cedia um pouco para o Espiritismo do meu pai. De fato era onde mais gostava de estar, comparando com as missas e com os cultos. A sessão espírita era, com toda certeza, um pouco estranha, mas o ambiente era mais leve. As pessoas eram mais serenas, menos austeras e pragmáticas.

Pois bem, o tempo foi passando e fui ficando menos dependente no sentido de ser levado pra lá e pra cá pela mãe, pelo pai ou pela avó! Já estava crescidinho e podia muito bem decidir sobre minha fé sozinho. Sempre fui muito curioso sobre coisas espirituais. Em minha pré-adolescência gostava muito de ler sobre ocultismo, magia, exoterismo e satanismo. Em contrapartida, também mantinha uma sede pela idéia de Deus. Lembro que ficava divagando sobre Ele até a mente travar; de onde veio Deus? Quem criou Deus? Se Ele é onisciente por que criou tudo sabendo que iria dar em "merda" (com licença da palavra)? Se Ele é onipotente por que deixa tanta gente na mão? Se Ele é onipresente como pode aguentar testemunhar um estupro e não fazer nada?

Era assim, minha mente jovem se aventurando em questões que adultos lidam de forma infantil ainda. E foi como resultado desse perfil questionador que tornei-me evangélico. Toda a discrepância da Igreja Católica frente à Bíblia me deu mais que motivos para converter-me ao Protestantismo. E de fato era protestante mesmo porque a boa nova que me fez trocar de religião foi aquela antimariana, anticatólica, anti-idolatria, antisantos, anti-imagens, etc. E como foi isso que recebi foi isso que dei. Era o que sabia pregar: "a Igreja Católica é idólatra, Maria não é Rainha, foi pecadora e não morreu virgem, só Jesus é mediador entre Deus e os homens, etc".

A denominação em que passei a frequentar foi a Igreja do Evangelho Quadrangular. Foi lá que comecei a aprender a ser "crente". Foi lá que ficava espantado e admirado com as manifestações de demônios nos cultos de quarta-feira. Achava o máximo! O período do louvor era o que mais gostava. Claro, o show do pastor também era muito legal! Os pulos, os "tics", as entonações que pareciam ensaiadas, os gritos de efeito... uau! Era muito talento para uma pessoa só!

Meu primo mudou-se da cidade e como era com ele que ia para a igreja, e foi por intermédio dele que me converti, acabei deixando de frequentar os cultos. Eu era um menino muito pouco entrosado e meu primo era minha muleta social. Então, fiquei desmotivado para ir sozinho para a igreja e fiquei um bom tempo "desviado".

É isso, já sabia que quem não frequentava a igreja era desviado. Mas, não havia opção! E nesse período, por conveniência, passei a me declarar ateu. Deixe-me explicar isso! Não deixei de acreditar em Deus. O que ocorreu é que eu achava que ateu era aquele que não tinha religião. É, não sei por que não me passou pela cabeça consultar um dicionário. Mas, agora entendo porque as pessoas se espantavam quando ouviam um menino de 10 anos declarar-se como tal.

No meio dessa história toda minhas duas irmãs mais novas passaram a frequentar a Igreja Cristã Evangélica. Minha mãe insistia que eu fosse junto para vigiá-las. E foi assim que acabei criando o maior vínculo eclesial da minha vida. Foi lá que fui batizado. Foi lá que aprendi a tocar bateria e toquei na equipe de louvor. Foi lá que amadureci espiritualmente. Foi lá que passei bons momentos da minha vida (e os piores também, mas isso explico depois). Foi lá que doei minha vida, minha energia, meu talento, minha liberdade, minha adolescência, meu tempo, meus serviços, etc. Só não foi lá que entreguei meu dinheiro porque ainda não tinha renda. Se bem que do pouco que eu ganhava, dando aula de bateria e fazendo desenhos, eu "devolvia" a décima parte como rezava o mandamento. Tá, confesso que eu tinha muita dificuldade para "devolver" o dízimo e algumas vezes omitia a obediência nesse quesito.

Foram sete anos enfurnado dentro da igreja. Não dá para contar tudo que vivi, vi e ouvi em razão disso a não ser num livro. E isso não seria viável, muito menos interessante já que não há nada de interessante. Basta dizer que fui líder, exemplo para os jovens e adolescentes, professor de Escola Bíblica Dominical (detalhe, acho que nunca faltei em 3 anos), menino prodígio da igreja, entendido da Palavra, sábio, maduro, ministro de louvor, pregador e muito chegado ao pastor e à pastora - o que me contemplava ampla visão da liderança da igreja e dos mecanismos internos. Com isso pode-se abstrair a bagagem que carreguei antes dos 18 anos de idade.

Aliás, fica aqui uma dica para os pastores, líderes e afins. Peguem menos no pé da masturbação e procurem tratar de outra coisa mais eficiente no discipulado dos meninos. Só porque somos adolescentes e jovens não quer dizer que o único pecado que existe em nosso mundinho de espinhas está relacionado ao sexo. Sério, era tanta bitolação com a punheta (mais uma vez licença da palavra) que quando ficava uma semana sem onanizar-me sentia que era o maior santo de todos os tempos da última semana. Haviam tantas outras áreas fundamentais a serem transformadas por Cristo em minha vida, e que ocasionariam na melhoria de outras áreas especializadas, que perdi muito esforço e energia lutando contra meus hormônios.

Pois bem, nestes sete anos transitei entre o tradicional, avivado e carismático em suas diferentes formas e estágios. Vale ressaltar que a igreja não caminhou no mesmo rítmo. O que gerou muita fadiga para nós da equipe de louvor. Imagine um bando de crias de BH (quem lê entenda) do interior de Goiás tentando levar uma igreja estagnada a 40 anos ao "mover"? Isso rendeu muito pano pra manga...

Mudei-me de cidade para estudar, trabalhar e, enfim, o famigerado estereótipo do menino do interior tentando alçar voo. Fui morar com meu primo que agora era membro da Igreja Presbiteriana Orvalho do Hermom. Ele já estava entrosado (como sempre) e já ministrava louvor e tal na igreja. Eu cheguei e mantive-me em sua sombra para não perder o costume. Ainda sem aquela desenvoltura para enturmar mas seguro com a presença dele. Devo detalhar que a experiência numa igreja de interior é totalmente diferente da experiência numa igreja de cidade grande. E isso eu viria a descobrir logo.

Depois de um tempo pouco produtivo e motivacional nesta igreja, mudamo-nos para outro bairro. Daí surgiu aquela dúvida: para qual igreja nós vamos agora? Nós tínhamos um Ministério de Louvor e Adoração chamado Adoração em Plenitude. Lembram do lance das crias de BH? Então, é isso... E era muito importante que tívessemos uma cobertura espiritual para que pudéssemos "ministrar" nas igrejas. Sempre perguntavam isso pra gente quando faziam o convite para tocarmos em algum evento: 24 horas de adoração, louvorzão, conferências proféticas, cultos, etc, etc. Nesse período fizemos parte da Igreja Batista Betel, depois da Igreja de Cristo Rocha Viva, depois da Igreja Betesda, depois da Igreja Plenitude de Deus e, por fim, da Igreja Batista Memorial. Essas foram as igrejas que chegamos a ser membros, mesmo que por pouco tempo. Mas, conhecíamos muitas outras, aliás, mais neopentecostais, em virtude do Ministério de Louvor que tínhamos.

Depois de tudo isso, voltando aos três anos atrás, comecei a perceber que nada fazia tanto sentido como pensava fazer. Manipulação, poder, disputas, divergências, divisões, modismos, falsidade, mentira, soberba, autoritarismo, egoísmo, hierarquia, camadas de poder, abusos, oportunismos, alienação, ritualismo, enganação, etc, etc, foram palavras que começaram a borbulhar em minha cabeça toda vez que parava para meditar, refletir e repensar toda minha eclesiologia.

Não foi fácil carregar tantas dúvidas e questionamentos. Não tinha com quem compartilhar pensamentos tão "hereges" e "rebeldes". Mas, orando, pesquisando e estudando fui me sentido seguro. Por fim, tomei a decisão de não mais ir à igreja. Já era algo que não fazia sentido algum para mim e o fazia por desencargo de consciência. Até que fiquei livre desse tipo de consciência. O verdadeiro desafio era lidar com essa nova realidade: Ser apaixonado por Deus, sentindo-me tão próximo e sincero no relacionamento com Ele como nunca havia sentido - nem mesmo nos melhores tempos de "intimidade" importados de BH - e não ir mais à igreja. As pessoas não concebem essa idéia. Não conseguem imaginar um discípulo de Cristo livre dos cercos institucionais de uma igreja, de uma denominação, de uma teologia, de uma doutrina, de uma "cobertura espiritual" ou de um líder religioso.

E é justamente por isso que me alegro com a chegada do livro Por que você não quer mais ir à igreja? de Wayne Jacobsen e Dave Coleman. Nestes três anos que deixei de ir à igreja tenho visto muitas outras pessoas confidenciando experiências afins à minha. Nestes três anos já não me sinto tão sozinho como no início. É bom ver que a Igreja está se libertando dos templos e rompendo com diversas amarras criadas por homens. Sinto-me alegre por perceber que a sede por Deus e por um relacionamento autêntico com Ele tem sido prioridade na vida de tantos. E estes não necessariamente encerram-se dentro de igrejas. Pelo menos não em igrejas segundo o senso comum.

Estas pessoas percebem que comunhão é algo muito mais profundo e sobrepuja uma simples reunião dentro de um prédio com fachada. Comunhão vai além de ficar olhando para as nucas uns dos outros durante duas horas.

Este livro traz uma história que tem uma mensagem direta, objetiva, simples e libertadora. Para aqueles que não concebem um relacionamento fidedigno com Deus e com outros da mesma fé sem o frequentar semanal à uma igreja institucionalizada, a narração trará uma perspectiva que pode romper com paradigmas. No mínimo trará respostas para as perguntas que mais ouço: Em que igreja você vai? De que igreja você é? Em que igreja você congrega? Em que igreja você assiste? Você é membro de qual igreja? Quem é seu pastor? E, finalmente, por que você não vai à igreja?

Você terá a oportunidade de entender que de fato é possível ser cristão apesar da igreja. E muito mais, que é possível que o que você pensa ser igreja realmente não seja Igreja.

Convido você a ler esse livro que pode lhe causar empatia com a história de Jake Colsen. Talvez seja hora de você descobrir se entregou sua vida à Jesus Cristo ou acabou entregando sua vida à igreja pensando que era pra Cristo.

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Sobre fantasia e Verdade


A Vida não é um baile de máscaras¹. Não é um carnaval. Não se pode viver a encenar personagens, acostumando-se às fantasias, como a moça da canção de Chico Buarque. As máscaras e os demais ornamentos pesam e caem, e deixam à vista o eu enfermo, despedaçado ou perdido. É necessário o encontro com a Verdade. Pois não importa quantas camadas de mentira vestimos, elas não cobrem, e nos achamos sempre desnudos ante os espelhos da alma. Por mais assustador que pareça é necessário ser-estar nu. Transparente. Essencialmente perante Aquele que nos enxerga como de fato somos, e logo, perante nós mesmos. É preciso se vestir de verdade.
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A Verdade nos denuncia os enganos, dos mais profundos aos superficiais, dos mais particulares aos mais universais, dos mais nocivos aos aparentemente inofensivos. Sua luz ilumina os recônditos e lugares mais distantes do nosso interior. Penetra até o ponto onde a alma e o espírito se encontram e as juntas e medulas se tocam, ela sonda os pensamentos mais íntimos². Não há o que se possa esconder e assim, melhor é não ter o que esconder e deixar-se descobrir pela sinceridade.
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A verdade nos liberta do desespero: Das vivências mascaradas; do não querer ser quem é; da ignorância sobre a necessidade de ser quem é; de querer desesperadamente se ser. Nos liberta das armadilhas de nossas mentiras e más ambições, antigas e modernas, e dos arcabouços do orgullo. Em suma, a Verdade abre as portas da liberdade, onde amor ensina o que convém. Sim, pode-se escolher uma existência de máscaras e disfarces, de luxo burlesco ou indiferença, existência de plástico e tecido, mas não se pode fugir: A Verdade sempre se impõe.
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¹ Frase atribuída a Sören Kierkegaard.
² Epístola aos Hebreus 4.12.

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